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Império do Brasil

Império do Brasil foi um Estado que existiu no século XIX e que compreendia, aproximadamente, até 1825, o território que forma o Brasil e o Uruguai atuais. Seu governo era uma monarquia constitucional parlamentar representativa, com a ascensão ao trono de dois imperadores, Pedro I e seu filho, Pedro II. De uma colônia do Reino de Portugal, o Brasil tornou-se a sede do Império Português em 1808, quando o então Príncipe Regente de Portugal, João VI, reagiu à invasão napoleônica de Portugal estabelecendo a si mesmo e seu governo no Rio de Janeiro. João VI, em decorrência da Revolução do Porto, retornou a Portugal em 1821, deixando seu filho e herdeiro, Pedro, para governar o Reino do Brasil como regente. Em 7 de setembro de 1822, Pedro proclamou a independência do Brasil e foi aclamado em 12 de outubro do mesmo ano como Pedro I, primeiro imperador do Brasil, fato que antecedeu uma guerra contra Portugal, que reconheceu a independência em 1825, com a assinatura do Tratado do Rio de Janeiro. O novo país era vasto, etnicamente diverso, porém pouco povoado.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 07/07/2026
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História

As deficiências da monarquia levaram muitos anos para se tornarem aparentes. O Brasil continuou a prosperar durante os anos 1880, com a economia e a sociedade se desenvolvendo rapidamente, incluindo o primeiro impulso organizado pelos direitos das mulheres. Por outro lado, cartas escritas por Pedro II revelam um homem envelhecido e cansado do mundo, cada vez mais alienado de eventos atuais e em perspectiva pessimista. Ele permaneceu meticuloso em suas funções formais como imperador, embora muitas vezes sem entusiasmo, mas ele já não intervinha ativamente para manter a estabilidade no país. Sua crescente "indiferença ao destino do regime" e sua inação em proteger o sistema imperial quando ele foi ameaçado levaram historiadores atribuírem a "principal, talvez única, responsabilidade" pela dissolução da monarquia ao próprio imperador. A falta de um herdeiro que pudesse viabilizar e proporcionar um novo rumo para o país também ameaçou as perspectivas de longo prazo da monarquia brasileira. O herdeiro do imperador era sua filha mais velha, Isabel, que não tinha interesse e nem expectativa de tornar-se uma monarca. A Constituição permitia a sucessão feminina ao trono, mas o Brasil ainda era uma sociedade muito tradicional, dominada por homens e a visão predominante era de que apenas um monarca masculino seria capaz de executar a funções de chefe de Estado. Pedro II, as classes dominantes e o estamento político consideraram um sucessor do sexo feminino como impróprio e Pedro II acreditava que a morte de seus dois filhos e a falta de um herdeiro do sexo masculino eram um sinal de que o império estava destinado a ser suplantado.

Independência e primeiros anos

O território que viria a ser conhecido como o Brasil foi reivindicado por Portugal em 22 de abril de 1500, quando o navegador Pedro Álvares Cabral desembarcou em seu litoral. Uma colonização permanente seguiu-se e, de 1532 aos 300 anos seguintes, os portugueses expandiram lentamente seus domínios para oeste até chegarem a quase todas as fronteiras do Brasil moderno. Em 1808, o exército do imperador francês Napoleão Bonaparte invadiu Portugal, levando a família real portuguesa — a Casa de Bragança, um ramo de mil anos da dinastia capetiana — a se transferir para o Brasil, preservando a independência portuguesa. Eles restabeleceram-se na cidade brasileira do Rio de Janeiro, que se tornou a sede oficial do Império Português.

Regência

Após a saída precipitada de Pedro I, o Brasil ficou com um menino de cinco anos de idade como chefe de Estado. Sem precedentes a seguir, o império foi confrontado com a perspectiva de um período de mais de doze anos sem um executivo forte, visto que, nos termos da Constituição de 1824, Pedro II não iria atingir a maioridade e começar a exercer a autoridade como o imperador até 2 de dezembro de 1843, quando chegaria aos dezoito anos. A regência foi eleita para governar o país nesse período. A regência tinha apenas alguns dos poderes exercidos por um imperador e era completamente subordinada à Assembleia Geral, que não podia preencher o vácuo deixado no cargo mais alto do governo brasileiro.

Consolidação

Para atingir os seus objetivos, os liberais tinham-se aliado a um grupo de funcionários de alto escalão do palácio e a políticos notáveis: a "facção dos cortesãos". Os cortesãos faziam parte do círculo íntimo do imperador e tinham grande influência sobre ele, o que lhes permitiu a nomeação de sucessivos gabinetes liberais-cortesãos. Seu domínio, no entanto, foi de curta duração. Por volta de 1846, Pedro II tinha amadurecido fisicamente e mentalmente. Como não era mais um jovem inseguro de 14 anos de idade, influenciado por fofocas, sugestões de lotes secretos e outras táticas de manipulação, suas fraquezas desbotaram e sua força de caráter veio à tona. Ele arquitetou com sucesso o fim da influência dos cortesãos, removendo-os de seu círculo íntimo sem causar qualquer perturbação pública. Ele também rejeitou os liberais, que se haviam revelado ineficazes enquanto estavam no cargo, e exortou os conservadores a formar um governo em 1848.

Crescimento

No início da década de 1850, o Brasil gozava de estabilidade interna e prosperidade econômica. A infraestrutura do país foi sendo desenvolvida, com o progresso na construção das estradas de ferro, do telégrafo elétrico e de linhas de navios a vapor que uniam o Brasil em uma entidade nacional coesa. Depois de cinco anos de mandato, o gabinete conservador foi dissolvido em setembro de 1853. Honório Hermeto Carneiro Leão, o Marquês de Paraná, líder do Partido Conservador, foi convocado para formar um novo gabinete. O imperador Pedro II quis aplicar um plano ambicioso, que se tornou conhecido como "a Conciliação", que visava reforçar o papel do parlamento na resolução de disputas políticas do país.

Guerra do Paraguai

Este período de calma chegou ao fim quando o cônsul britânico no Rio de Janeiro quase provocou uma guerra entre o Reino Unido e o Brasil. Ele enviou um ultimato contendo exigências abusivas decorrentes de dois incidentes menores no final de 1861 e no início de 1862. O governo brasileiro se recusou a ceder e o cônsul emitiu ordens para navios de guerra britânicos capturar navios mercantes brasileiros como indenização. O Brasil se preparou para um conflito iminente e as defesas costeiras receberam permissão para atirar contra qualquer navio de guerra britânico que tentasse capturar navios mercantes brasileiros. O governo brasileiro, em seguida, cortou relações diplomáticas com o Reino Unido em junho de 1863.

Apogeu

A vitória diplomática sobre o Império Britânico e a vitória militar sobre o Uruguai em 1865, seguida da conclusão bem sucedida da guerra com o Paraguai em 1870, marcou o início da "era de ouro" do Império do Brasil. A economia brasileira cresceu rapidamente; outros projetos de modernização de estradas de ferro e transportes foram iniciados; a imigração floresceu. O império ficou conhecido internacionalmente como uma nação moderna e progressista, perdendo apenas para os Estados Unidos na América, era uma economia politicamente estável, com um bom investimento potencial. Em março de 1871, Pedro II nomeou o conservador José Paranhos, o Visconde do Rio Branco, como chefe de um gabinete, cujo principal objetivo era o de aprovar uma lei para libertar imediatamente todas as crianças nascidas de escravas. O controverso projeto de lei foi apresentado na Câmara dos Deputados em maio e enfrentou "uma oposição determinada, que comandou o apoio de cerca de um terço dos deputados e que procurou organizar a opinião pública contra a medida". O projeto de lei foi finalmente promulgado em setembro e ficou conhecido como Lei do Ventre Livre. O sucesso de Rio Branco, no entanto, prejudicou seriamente a estabilidade política do império a longo prazo. A lei "dividiu os conservadores ao meio, uma facção do partido apoiou as reformas do gabinete de Rio Branco, enquanto a segunda — conhecida como a escravocratas — foram implacáveis em sua oposição", formando uma nova geração de ultraconservadores.

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Sociedade

O artigo 5º da constituição declarou o catolicismo como a religião do Estado. No entanto, o clero era insuficiente, indisciplinado e pouco educado, o que levou a uma perda geral de respeito pela Igreja Católica. Durante o reinado de Pedro II, o governo imperial embarcou um programa de reformas destinado a corrigir essas deficiências. Como o catolicismo era a religião oficial, o imperador exercia um grande controle sobre assuntos da Igreja e pagava os salários clericais, nomeava os párocos e bispos, ratificava bulas pontifícias e supervisionava seminários. No prosseguimento da reforma, o governo selecionou bispos cuja aptidão moral, postura em relação a educação e apoio à reforma encontrava seus interesses. No entanto, conforme homens mais capazes começaram a chegar aos cargos clericais, o ressentimento do controle do governo sobre a Igreja aumentou. Os clérigos católicos aproximaram-se do Papa e de suas doutrinas. Isso resultou na "questão religiosa", uma série de confrontos durante a década de 1870 entre o clero e o governo, já que o primeiro queria uma relação mais direta com Roma, enquanto o segundo procurava manter a sua supervisão dos assuntos da Igreja.

Demografia

Desde a segunda metade do século XVIII, quando o Brasil ainda era uma colônia, o governo tentou obter dados sobre a população. No entanto, poucas capitanias (mais tarde chamadas de províncias) coletaram as informações solicitadas. Depois da independência, o governo instituiu uma comissão de estatísticas em um decreto de 1829 com um mandato para realizar um censo nacional. A comissão foi um fracasso e foi dissolvida em 1834. Nos anos seguintes, os governos provinciais foram incumbidos de coletar as informações do censo, mas os seus relatórios de censo eram muitas vezes incompletos ou não eram submetidos a toda a população. Em 1851, outra tentativa de realizar um censo nacional falhou quando tumultos eclodiram. Este foi o resultado da crença errônea entre os brasileiros de ascendência mestiça de que a pesquisa fosse um subterfúgio destinado a escravizar qualquer um que tivesse sangue africano.

Grupos étnicos

Quatro grupos étnicos eram reconhecidos no Brasil imperial: branco, preto, pardo e indígena. O termo pardo é uma designação usada para brasileiros multirraciais que ainda é usada oficialmente, embora alguns estudiosos prefiram o termo mestiço, e é uma categoria ampla que inclui caboclos (descendentes de brancos e índios), mulatos (descendentes de brancos e negros) e cafuzos (descendentes de negros e índios). Os caboclos formavam a maioria da população nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A grande parte da população mulata habitava a costa leste da região nordeste, da Bahia à Paraíba,, mas também estavam presentes no norte do Maranhão, sul de Minas Gerais, leste do Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Os cafuzos formavam o menor e mais difícil de distinguir dos subgrupos de mestiços, uma vez que os descendentes dos caboclos e mulatos do sertão do nordeste também eram classificados nessa categoria. Estes grupos ainda podem ser encontrados nessas mesmas áreas atualmente.

Imigração europeia

Antes de 1808, os portugueses eram o único povo europeu que tinha se consolidado no Brasil em números significativos. Embora britânicos, alemães, italianos e espanhóis já tivessem imigrado para o Brasil, vieram em grupos muito pequenos e não tiveram um impacto significativo sobre a cultura da colônia portuguesa do Brasil. A situação mudou a partir de 1808, quando João VI começou a incentivar a imigração vinda de países europeus fora de Portugal. O primeiro a chegar em números foram os suíços, dos quais cerca de dois mil estabeleceram-se na província do Rio de Janeiro durante 1818. Eles foram seguidos por alemães e irlandeses, que imigraram para o Brasil na década de 1820. Os colonos alemães se deslocaram principalmente para as províncias do sul do país, onde o clima era mais parecido com o de sua terra natal. Na década de 1830, devido à instabilidade da Regência, a imigração europeia diminuiu, só se recuperando após Pedro II ter tomado as rédeas do governo e o país, entrado num período de paz, estabilidade e prosperidade. Os agricultores no sudeste, enriquecidos com a lucrativa exportação do café, criaram o "sistema de parceria" (uma forma de servidão) para atrair imigrantes. O esquema durou até o fim da década de 1850, quando entrou em colapso e foi abandonado. A falha originava grandes dívidas incorridas pelos colonos europeus, a fim de subsidiar viagens e despesas correntes, o que fazia deles escravos virtuais de seus empregadores. A imigração sofreu outro declínio durante a Guerra do Paraguai, que ocorreu entre 1864 e 1870.

Escravidão

Em 1823, um ano após a independência, os escravos representavam 29% da população do Brasil, um número que caiu durante toda a existência do império: de 24% em 1854, para 15,2% em 1872 e, finalmente, para menos de 5% em 1887 — no ano posterior (1888) a escravidão foi totalmente abolida. Os escravos eram na sua maioria homens adultos do sudoeste da África de diferentes etnias, religiões e línguas, que se identificavam principalmente com o seu próprio país de origem do que com uma etnia africana compartilhada. Alguns dos escravos trazidos para as Américas haviam sido capturados enquanto lutavam em guerras entre tribos e que, em seguida, foram vendidos para traficantes de escravos.

Nobreza

A nobreza brasileira difere marcadamente de suas contrapartes na Europa: títulos nobiliárquicos não eram hereditários, sendo a única exceção os membros da família imperial; e aqueles que tinham recebido um título de nobreza não eram considerados como pertencentes a uma classe social separada e não receberam nenhum apanágio, estipêndio ou emolumento. No entanto, muitas classes, tradições e regulamentos no sistema de nobreza do Brasil Imperial foram cooptados diretamente da aristocracia portuguesa. Durante o reinado de Pedro I, não havia requisitos claros para alguém ser enobrecido. Durante o reinado de Pedro II (exceto o período da Regência, durante o qual o regente não poderia conceder títulos ou homenagens), a nobreza evoluiu para uma meritocracia, com títulos concedidos em reconhecimento do excelente serviço de um indivíduo para com o Estado brasileiro ou para o bem comum. O fato de alguém ter sido agraciado com um título nobiliárquico ou uma honraria, no sistema de nobreza do Brasil Imperial, não significa necessariamente "o reconhecimento de ascendência ilustre", embora muitas vezes tenha ocorrido isso.

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Governo e política

Após a independência do domínio português, o foco imediato da política externa do Brasil era ganhar reconhecimento internacional generalizado. A primeira nação a reconhecer a soberania do Brasil foram os Estados Unidos, em maio de 1825. Outras nações posteriormente estabeleceram relações diplomáticas com o país recém-criado. Portugal reconheceu a separação em agosto de 1825. O governo brasileiro, posteriormente, tornou uma prioridade estabelecer suas fronteiras internacionais por meio de acordos com seus vizinhos. A tarefa de proteger as fronteiras reconhecidas foi complicada pelo fato de que, entre 1777 e 1801, Portugal e Espanha tinham anulado os seus tratados anteriores definindo as fronteiras entre os seus impérios coloniais no continente americano. No entanto, o império foi capaz de assinar vários tratados bilaterais com os países vizinhos, como o Uruguai (em 1851), Peru (em 1851 e 1874), República de Nova Granada (a atual Colômbia, em 1853), Venezuela (em 1859), Bolívia (em 1867) e Paraguai (em 1872). Em 1889, a maioria de suas fronteiras estavam firmemente estabelecidas. As demais questões — inclusive a compra da região do Acre do governo boliviano, o que daria ao Brasil sua configuração territorial atual — só foram finalmente resolvidas depois que o país se tornou uma república.

Parlamento

O Artigo 2º da constituição brasileira de 1824 define os papéis do imperador e da Assembleia Geral (ou Parlamento), que em 1824 era composta por 50 senadores e 102 deputados gerais como representantes da nação. A constituição dotou a Assembleia com a competência e a autoridade para criar legislação e moderar os poderes executivo e judiciário como "delegações da nação", sendo a separação dos poderes prevista como o fornecimento de apoio à Constituição e aos direitos nela consagrados. As prerrogativas e autoridade concedida ao legislativo dentro da constituição significava que ele poderia e deveria desempenhar um papel importante e indispensável para o funcionamento do governo — que não era apenas uma instituição fantoche. Somente a Assembleia Geral podia decretar, revogar, interpretar e suspender leis nos termos do artigo 13 da constituição. O legislativo também ocupava o poder de orçamento e era obrigado a autorizar anualmente gastos e impostos. Só ele aprovava e exercia a supervisão de empréstimos e dívidas do governo. Outras responsabilidades confiadas à assembleia incluíam definir o tamanho das forças militares, a criação de cargos dentro do governo, o acompanhamento do bem-estar nacional e a garantia de que o governo estava a ser executado em conformidade com a constituição. Esta última disposição permitiu uma ampla autoridade para a legislatura examinar e debater a política do governo e conduta.

Imperador e Conselho de Ministros

O imperador era o chefe do poder moderador e do executivo (sendo auxiliado pelo Conselho de Estado e pelo Conselho de Ministros, respectivamente), tinha a palavra final e mantinha o controle sobre o governo nacional. Ele era encarregado de garantir a independência e a estabilidade nacional. A constituição (artigo 101) deu-lhe muito poucos caminhos para impor a sua vontade sobre a Assembleia Geral. Seu principal recurso era o direito de dissolver ou prorrogar as sessões legislativas. No Senado, a autoridade de um imperador de nomear os senadores não lhe dava necessariamente influência, portanto, os senadores eram livres da pressão do governo. Nessas ocasiões, quando a Câmara dos Deputados era dissolvida, novas eleições eram obrigatoriamente e imediatamente realizadas e a nova câmara era eleita. "Este poder era eficaz quando realizado em reserva como uma ameaça. Ele não poderia ser empregado repetidamente, nem seu trabalho usado a favor do imperador".

Governo provincial

Quando promulgada em 1824, a Constituição Imperial criou o Conselho Geral de Província, o legislador das províncias. Este conselho era composto por 21 ou 13 membros eleitos, dependendo do tamanho da população da província. Todas as "resoluções" (leis) criadas pelos conselhos precisavam da aprovação da Assembleia Geral, sem direito de recurso. Os Conselhos Provinciais também não tinham autoridade para aumentar as receitas e os seus orçamentos eram debatidos e ratificados pela Assembleia Geral. As províncias não tinham autonomia e eram inteiramente subordinadas ao governo nacional. Com a emenda constitucional de 1834, conhecida como Ato Adicional, os Conselhos Gerais de Províncias foram suplantados pelas Assembleias Legislativas Provinciais. As novas Assembleias gozavam de uma autonomia muito maior em relação ao governo nacional. A Assembleia Provincial era composta por 36, 28 ou 20 deputados eleitos, número que dependia do tamanho da população da província. A eleição de deputados provinciais seguia o mesmo procedimento usado para eleger deputados gerais para a Câmara dos Deputados.

Governo local

A Câmara Municipal (conselho municipal) era o órgão de governo nas cidades e já existia no Brasil desde o início do período colonial, no século XVI. A câmara era composta por vereadores e o número deles dependia do tamanho da cidade. Ao contrário do Conselho Geral Provincial, a Constituição deu aos conselhos municipais grande autonomia. No entanto, quando as Assembleias Provinciais substituíram o Conselho Geral Provincial em 1834, muitos dos poderes das câmaras municipais (como a definição dos orçamentos municipais, a fiscalização das despesas, a criação de postos de trabalho e a nomeação de funcionários públicos) foram transferidos para o governo provincial. Além disso, todas as leis promulgadas pelo conselho da cidade passaram a precisar da ratificação da Assembleia Provincial, mas não do Parlamento. Enquanto o Ato Adicional concedeu maior autonomia para as províncias do governo central, ele também transferiu a autonomia dos municípios para os governos provinciais. Não havia o cargo de prefeito e as cidades eram governadas por um conselho municipal e seu presidente era o vereador que tinha ganhado a maioria dos votos durante as eleições.

Eleições

Até 1881, o voto era obrigatório e as eleições ocorriam em duas etapas. Na primeira fase os votantes escolhiam eleitores que, em seguida, elegiam os deputados e senadores. O imperador iria escolher um novo senador (membro do Senado, a câmara alta da Assembleia Geral) a partir de uma lista de três candidatos que receberiam o maior número de votos. Os eleitores também escolhiam os deputados provinciais (membros das assembleias provinciais) e vereadores (membros dos conselhos municipais), sem o envolvimento imperial em uma seleção final. Todos os homens com mais de 25 anos com uma renda anual de pelo menos 100 mil réis (o equivalente em 1824 a 98 dólares, o que em 1870 era equivalente a R$ 1 400 de 2016) eram elegíveis para votar na primeira fase. A idade mínima para votar foi reduzida para 21, para homens casados. Para se tornar um eleitor era necessário ter uma renda anual de pelo menos 200 mil réis.

Forças armadas

Nos termos dos artigos 102 e 148 da constituição, as Forças Armadas do Brasil estavam subordinadas ao imperador como seu comandante-em-chefe. Ele era auxiliado pelos Ministros da Guerra e da Marinha nos assuntos sobre o Exército e a Armada (Marinha) — embora, na prática, o presidente do Conselho de Ministros normalmente exercesse a fiscalização dos dois ramos das forças armadas. Os ministros da Guerra e da Marinha eram, com poucas exceções, civis. Os militares brasileiros eram organizados em moldes semelhantes aos das forças armadas britânicas e norte-americanas da época, em que um pequeno exército permanente poderia aumentar rapidamente a sua força durante as emergências com uma milícia de reserva (no Brasil, a Guarda Nacional). A partir de 1830, o efetivo do Exército em tempos de paz oscilava de 15 a 20 mil homens. O sistema de recrutamento forçado, apelidado de “tributo de sangue”, não conseguia captar muitos recrutas. A primeira linha de defesa do Brasil invocava uma marinha grande e poderosa para proteger o país contra um ataque estrangeiro. Por uma questão política, os militares deviam ser completamente obedientes ao controle governamental e civil para as forças armadas permanecerem na participação de decisões políticas.

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Economia

Entre 1870 e 1890, o PIB per capita brasileiro cresceu aproximadamente 0,21% ao ano. No mesmo período, a Argentina crescia 2,51% ao ano, e o México 1,68% ao ano. Tendo como base valores em dólares de 1990, foi calculado que o PIB per capita brasileiro, em 1820, no fim do domínio português, era de US$ 646 dólares (comparado a US$ 759 dólares para o México, US$ 1 245 dólares para doze países da Europa Ocidental e US$ 1 257 dólares para os Estados Unidos). Portanto, em 1820, ainda não havia um grande hiato salarial entre o Brasil e esses países. Já para o ano de 1890, pouco após o fim do Império, o Brasil tinha um PIB per capita de US$ 794 dólares, comparado a US$ 1 011 dólares para o México, US$ 2 152 dólares para a Argentina, US$ 3 392 dólares para os Estados Unidos e US$ 4 009 dólares para o Reino Unido. Esses dados indicam que o crescimento da economia brasileira, durante o Império, foi muito mais lento, aumentando, assim, o abismo salarial dos brasileiros em comparação a moradores de outras nações americanas e de países da Europa Ocidental. Em 1820, o Brasil tinha o 18º maior PIB per capita do mundo, dentre 48 países sobre os quais há dados. Em 1870, o Brasil havia despencado para a 42º posição, dentre 67 países sobre os quais há dados.

Moeda

A unidade de moeda da fundação do império até o ano de 1942 era o real (a sua forma plural era réis e é reais em português moderno), e era derivado do original real português. Era geralmente chamado de mil-réis e escrito como um $000. Havia os contos de réis (1:000$000) — ou um milhão de réis. Um conto de réis era representado pelo símbolo Rs, escrito antes do valor e por um sinal de cifrão que era escrito antes de quaisquer quantidades inferiores de 1 000 réis. Assim, 350 réis era escrito como "Rs 350"; 1712 réis como "Rs 1$712" e 1 020 800 réis era escrito como "Rs 1:020$800." Para milhões, um período era usado como um separador entre milhões, bilhões, trilhões, etc (por exemplo, 1 bilhão de réis era escrito como "Rs 1.000:000$000"). Os dois pontos funcionavam para separar milhares de milhares e o sinal $ era inserido entre milhares e centenas (999 ou menos).

Desenvolvimento

Um desenvolvimento econômico de larga escala ocorreu durante este período no país, antecipando avanços similares em países europeus. Em 1850, havia cinquenta fábricas com um capital total de Rs 7.000:000$000. No final do período imperial, em 1889, o Brasil tinha 636 fábricas, o que representa uma taxa anual de crescimento de 6,74% em relação ao número de 1850 e com um capital total de cerca de Rs 401.630:600$000 (o que representa uma taxa de crescimento anual no valor de 10,94% entre 1850 e 1889). O "campo ecoou com o som estridente das linhas de ferro que estavam sendo colocadas como ferrovias, no ritmo de construção mais furioso do século XIX; na verdade, a construção em 1880 foi a segunda maior em termos absolutos em toda a história do Brasil. Na década, apenas oito países em todo o mundo construíram mais quilômetros de ferrovias do que o Brasil". A primeira linha férrea, com apenas 15 quilômetros de trilhos, foi inaugurada no dia 30 de abril de 1854 em um momento em que muitos países europeus não tinham serviço ferroviário. Em 1868, havia 718 quilômetros de linhas ferroviárias e até o final do império, em 1889, essa rede chegou a 9 200 quilômetros de extensão, com outros 9 000 quilômetros em construção, tornando-se o país com "a maior rede ferroviária na América Latina".

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Cultura

Artes visuais

Segundo o historiador Ronald Raminelli, as "artes visuais passaram por grandes inovações no império, em comparação com o período colonial". Com a independência em 1822, a pintura, a escultura e a arquitetura foram influenciadas por símbolos nacionais e da monarquia, já que ambos ultrapassaram os temas religiosos em importância. O antigo estilo barroco anteriormente dominante foi substituído pelo neoclassicismo. Novos desenvolvimentos apareceram, como o uso do ferro na arquitetura e o aparecimento da litografia e da fotografia, o que revitalizou as artes visuais. A criação da Academia Imperial de Belas Artes pelo governo em 1820 desempenhou um papel fundamental na influência e na expansão das artes visuais no Brasil, principalmente, ao educar gerações de artistas, sensibilizar o público leigo e dinamizar o mercado de arte, mas também por impor uma orientação estilística e ideológica que servia aos interesses do Estado. As origens da Academia de Belas Artes estão na fundação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios em 1816, pelo português João VI. Seus membros — dos quais o mais famoso foi Jean-Baptiste Debret — eram emigrantes franceses que trabalhavam como pintores, escultores, músicos e engenheiros. O principal objetivo da escola era incentivar a estética francesa e o estilo neoclássico para que substituíssem o estilo barroco predominante. Atormentada pela falta de recursos desde a sua criação, a escola foi mais tarde renomeada "Academia de Belas Artes" em 1820 e, em 1824, recebeu o nome definitivo sob o império: Academia Imperial das Belas Artes.

Literatura e teatro

Nos primeiros anos após a independência, a literatura brasileira era ainda fortemente influenciada pela literatura portuguesa e seu predominante estilo neoclássico. Em 1837, Gonçalves de Magalhães publicou o primeiro trabalho do romantismo no Brasil, começando uma nova era no país. No ano seguinte, 1838, foi feito a primeira peça teatral encenada por brasileiros e com um tema nacional, que marcou o nascimento do teatro brasileiro. Até então, os temas eram muitas vezes baseados em obras europeias, mesmo que não fossem realizados por atores estrangeiros. O romantismo na época foi considerado como o estilo literário que melhor se ajustava à literatura brasileira, o que poderia revelar sua singularidade quando comparada à literatura estrangeira. Durante as décadas de 1830 e 1840, "uma rede de jornais, revistas, editoras e gráficas surgiram junto com a abertura de teatros em grandes cidades, o que poderia ser chamado, mesmo para a estreiteza de seu alcance, uma cultura nacional".

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