Andrew Jackson
Andrew Jackson foi um fazendeiro, mercador de escravos, militar e estadista americano que serviu como o sétimo presidente dos Estados Unidos de 1829 a 1837. Antes de sua presidência, ganhou fama como general do Exército dos EUA e ocupou cargos em ambas as casas do Congresso. Sua presidência é lembrada pela defesa do "homem comum" contra uma "aristocracia corrupta", pela unidade nacional e por políticas racistas, especialmente contra os povos nativos.
Pontos-chave
- Jackson nasceu em 1767 em uma família de colonos escoceses-irlandeses.
- Serviu nas forças americanas durante a Guerra Revolucionária, onde perdeu familiares e desenvolveu um forte desprezo pela Grã-Bretanha.
- Após a guerra, estabeleceu-se no Tennessee, construindo uma carreira jurídica e política, e se tornando um próspero fazendeiro e proprietário de escravos.
- Sua presidência (1829-1837) foi marcada pela defesa do "homem comum", oposição ao Banco dos Estados Unidos e políticas de remoção de nativos americanos.
- Seu legado é controverso, sendo visto tanto como um defensor da democracia quanto como um líder autocrático com políticas racistas.
Andrew Jackson nasceu em 15 de março de 1767, na região de Waxhaws, nas Carolinas. Seus pais, Andrew Jackson e Elizabeth Hutchinson, eram colonos presbiterianos escoceses-irlandeses que emigraram da Irlanda em 1765. O pai de Jackson faleceu em um acidente de trabalho três semanas antes de seu nascimento. Após a morte do pai, Elizabeth e seus três filhos foram morar com parentes. Jackson cresceu em um ambiente familiar marcado pela perda e pela emigração.
Jackson e seus irmãos mais velhos serviram contra os britânicos durante a Guerra Revolucionária. Eles atuaram como mensageiros e batedores, participando de batalhas como a de Hanging Rock. Jackson e seu irmão Robert foram capturados em 1781, sofrendo maus-tratos e contraindo varíola. A guerra resultou na perda de seus irmãos e de sua mãe, deixando Jackson órfão aos 14 anos e alimentando seu desprezo pela aristocracia britânica.
Após a guerra, Jackson trabalhou em diversas ocupações, estudou direito e tornou-se promotor público no que viria a ser o Tennessee. Ele se envolveu em seu primeiro duelo e foi eleito para a Câmara dos Representantes e o Senado dos EUA. Jackson também se dedicou à agricultura e ao comércio de escravos, acumulando riqueza e se tornando um proeminente proprietário de terras e escravos.
Carreira Jurídica e Casamento
Após a Guerra Revolucionária, Jackson trabalhou como seleiro, retornou aos estudos e ensinou. Em 1784, mudou-se para Salisbury, Carolina do Norte, para estudar direito. Foi aprovado no exame para advogados em 1787 e, com a ajuda de um amigo, foi nomeado promotor público no Distrito Ocidental da Carolina do Norte, que mais tarde se tornaria o Tennessee. Durante sua viagem para assumir o cargo, Jackson comprou sua primeira escrava e participou de seu primeiro duelo.
Início da Carreira Pública
Jackson filiou-se ao Partido Democrata-Republicano e foi eleito delegado para a convenção constitucional do Tennessee. Quando o Tennessee se tornou um estado em 1796, Jackson foi eleito para a Câmara dos Representantes dos EUA. No Congresso, ele se aproximou da facção radical, opôs-se ao Tratado de Jay e criticou o presidente George Washington. Em 1797, foi eleito senador, mas renunciou após seis meses devido a descontentamento com o trabalho e a administração de John Adams.
Carreira de Agricultor e Escravidão
Jackson renunciou ao cargo de juiz em 1804 após quase falir com especulações imobiliárias. Ele vendeu terras e comprou uma propriedade menor, que chamou de Hermitage, focando em se tornar um fazendeiro e comerciante de sucesso. O Hermitage cresceu, tornando-se uma grande plantação de algodão. Jackson utilizou trabalho escravo em larga escala, possuindo mais de 150 escravizados em 1845. Embora a qualidade de vida média dos escravizados no Hermitage fosse considerada melhor do que o normal, Jackson os chicoteava por ofensas graves e divulgava anúncios para capturar fugitivos. Sua riqueza em terras e escravos o colocou entre a elite do Tennessee.
Duelo com Dickinson e Envolvimento com Burr
Em 1806, Jackson travou um duelo com Charles Dickinson, que o havia difamado. Dickinson atirou primeiro, ferindo Jackson no peito, mas Jackson conseguiu revidar e matar Dickinson. O evento manchou sua reputação. No mesmo ano, Jackson se envolveu no plano de Aaron Burr de conquistar a Flórida espanhola e o Texas. Jackson concordou em fornecer barcos e provisões para a expedição e escreveu ao presidente Thomas Jefferson informando que o Tennessee estava pronto para defender a honra da nação.
Jackson teve uma destacada carreira militar, servindo na Guerra de 1812 e na Primeira Guerra Seminole. Ele demonstrou liderança e resistência, ganhando o apelido de "Old Hickory". Suas ações militares incluíram a defesa de Nova Orleans e a campanha na Flórida, onde ordenou a destruição de um forte e a remoção forçada de nativos americanos.
Guerra de 1812
Em 1812, os Estados Unidos declararam guerra ao Reino Unido. Jackson ofereceu-se para recrutar voluntários e, após derrotas militares federais, liderou mais de 2.000 homens para Nova Orleans. Quando as ordens de dispensa chegaram, Jackson recusou-se a dispersar suas tropas e as liderou em uma árdua marcha de volta a Nashville, ganhando o apelido de "Hickory" (e depois "Old Hickory") por sua resistência.
Primeira Guerra Seminole
Após a guerra, Jackson permaneceu no comando das tropas no sul dos EUA. Ele assinou tratados que resultaram na cessão de milhões de hectares de terra pelos Creek, Choctaw, Cherokee e Chickasaw. Jackson também se envolveu em conflitos na Flórida, ordenando a destruição do "Forte dos Negros", um reduto de ex-soldados britânicos, escravos fugitivos e indígenas, que era visto como uma ameaça à propriedade dos escravizadores americanos.
Jackson concorreu à presidência em 1824, mas perdeu a eleição, apesar de ter recebido mais votos populares e eleitorais. Em 1828, ele se candidatou novamente e venceu, em parte devido à má gestão da presidência de John Adams e à formação de um novo partido por seus apoiadores. A morte de sua esposa, Rachel, pouco antes de sua posse, o afetou profundamente.
Eleição de 1824
Em 1819, a má gestão do Segundo Banco dos Estados Unidos levou a um pânico financeiro. Jackson foi forçado a se aposentar como major-general, mas foi nomeado o primeiro governador territorial da Flórida em 1821. Durante sua recuperação, ele se tornou Grão-Mestre da Grande Loja do Tennessee e concluiu negociações para a compra de terras dos Chickasaw, conhecida como a Compra de Jackson, na qual ele e colegas especularam terras para fundar Memphis.
Eleição de 1828 e Morte de Rachel Jackson
Após a eleição de 1824, os apoiadores de Jackson formaram um novo partido para prejudicar John Quincy Adams. A presidência de Adams foi vista como ineficaz e distante das necessidades populares. Jackson, em contraste, defendia as necessidades dos cidadãos comuns, declarando que "a voz do povo [...] deve ser ouvida". A eleição de 1828 foi marcada por uma campanha intensa e pela morte de Rachel Jackson, esposa de Andrew, pouco antes de sua posse.
A presidência de Andrew Jackson foi marcada por reformas, oposição ao Banco dos Estados Unidos, o "Caso das Anáguas" e a aprovação do Indian Removal Act. Sua filosofia política defendia a democracia, a unidade nacional e um governo federal forte contra a secessão, ao mesmo tempo em que promovia políticas racistas e a remoção forçada de nativos americanos.
Filosofia
A filosofia de Jackson, associada à "Era de Jackson", promoveu a expansão da democracia e a transferência de poder para os eleitores comuns. Ele defendia valores republicanos, temia a corrupção por interesses monetários e comerciais, e adotou uma postura forte a favor do nacionalismo e contra a secessão, como visto em sua oposição à crise da nulificação na Carolina do Sul.
Posse
Jackson foi empossado em 4 de março de 1829, no Capitólio dos EUA. Ele prometeu proteger a soberania dos estados, reformar o governo e manter uma política justa em relação aos nativos americanos. A recepção pública na Casa Branca após a posse, invadida por simpatizantes, rendeu-lhe o apelido de "King Mob" ("Rei da Multidão").
Reformas e Rotação no Cargo
A administração Jackson iniciou investigações em departamentos executivos, revelando roubos e economizando fundos públicos. Jackson pediu ao Congresso o endurecimento das leis contra peculato, a redução da evasão fiscal e um melhor sistema de contabilidade governamental, buscando reformar e tornar o governo mais eficiente e honesto.
Petticoat Affair (Caso das Anáguas)
O "Caso Petticoat" girou em torno de Margaret Eaton, esposa do Secretário de Guerra, que enfrentou ostracismo social devido a rumores de promiscuidade. A recusa das esposas dos membros do gabinete em socializar com os Eatons dividiu o gabinete de Jackson, levando à sua dissolução e demonstrando a influência das questões pessoais na política da época.
Indian Removal Act
A presidência de Jackson marcou o início de uma política nacional de remoção de nativos americanos. As tensões entre os estados do Sul e as tribos nativas eram altas. Apesar das tentativas de Adams de incentivar a emigração voluntária, a maioria dos nativos recusou. Jackson implementou uma política de remoção forçada, culminando no Indian Removal Act.
Crise da Nulificação
A tarifa de 1828, que protegia as indústrias do Norte e prejudicava os agricultores do Sul, gerou forte oposição na Carolina do Sul. O documento "Exposição e Protesto", escrito por John C. Calhoun, afirmava o direito de um estado de declarar leis federais inconstitucionais e nulas em suas fronteiras. Jackson enfrentou este desafio com uma postura firme em defesa da unidade nacional e contra a secessão.
Após deixar a presidência em 1837, Jackson retirou-se para Hermitage, onde trabalhou para organizar seus negócios. Apesar de sua saúde debilitada e da impopularidade devido ao Pânico de 1837, ele permaneceu influente na política. Jackson defendia o Tesouro Independente como solução para a crise econômica. Ele faleceu em 1845, deixando um legado complexo.
Andrew Jackson e sua esposa Rachel não tiveram filhos biológicos, mas adotaram Andrew Jackson Jr. e cuidaram de outros sobrinhos e filhos de amigos. Duas mulheres serviram como primeiras-damas não oficiais durante sua presidência: sua sobrinha Emily Donelson e, posteriormente, sua nora Sarah Yorke Jackson. Jackson era conhecido por seu temperamento volátil, mas também por sua lealdade e decisões deliberadas. Ele se tornou membro oficial da igreja presbiteriana em 1838, após sua aposentadoria.
Família
Jackson e Rachel adotaram Andrew Jackson Jr. e cuidaram de outros sobrinhos e filhos órfãos. Eles também acolheram três crianças Creek, incluindo Lyncoya, um órfão que Jackson adotou. Emily Donelson, sobrinha de Rachel, e Sarah Yorke Jackson, esposa de Andrew Jackson Jr., serviram como anfitriãs na Casa Branca durante a presidência de Jackson.
Temperamento
Jackson era conhecido por seu temperamento mal-humorado e violento, que usava estrategicamente. No entanto, ele também era capaz de manter a calma e tomar decisões deliberadas. Ele levava as coisas para o lado pessoal e demonstrava forte lealdade, considerando ameaças a amigos como ameaças a si mesmo, mas exigindo lealdade inquestionável em troca.
Fé Religiosa
Jackson tornou-se membro oficial da Primeira Igreja Presbiteriana em Nashville em 1838. Sua mãe e esposa foram presbiterianas devotas, mas Jackson adiou sua adesão oficial para evitar acusações de motivações políticas.
O legado de Andrew Jackson é controverso. Ele é visto como um porta-voz do "homem comum", um defensor da democracia e um símbolo da independência americana. Ao mesmo tempo, é criticado como um demagogo autocrático com políticas racistas, especialmente a remoção de nativos americanos. Sua figura representa a ascensão do populismo e a rejeição das elites, mas também a expansão do poder presidencial e a exploração.


